Em segundo dia de curso, Rede Orooni e jovens de terreiro debatem sobre a preservação da água e do meio ambiente para o Candomblé

 Em segundo dia de curso, Rede Orooni e jovens de terreiro debatem sobre a preservação da água e do meio ambiente para o Candomblé

Foto: Joeverson Miranda

Dando continuidade ao o Curso de Formação para Jovens de Terreiro, promovido pela Rede Orooni, o último sábado (23) aula na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi marcado por debates importantíssimos sobre um tema essencial, o meio ambiente no Candomblé. Esta foi a segunda aula do curso, que também acontece nos dias 7 e 22 de dezembro.

Entendendo-se que o principio do candomblé é movimentado pela energia das folhas e que as águas vão mais além que um simples recurso natural, o professor Marcus Alessandro Mawusí e a Sacerdotisa Aialla Castro entraram num grandioso debate sobre  “Candomblé e Meio Ambiente – os desafios para conter o aquecimento global”, ressaltando a importância de preservar não só as matas e rios, mas cuidar do meio ambiente como um todo, para que pequenas boas atitudes plantadas  hoje, possam refletir no futuro de nossa religião.

Professor Marcus Alessandro Mawusí. Foto: Joeverson Miranda

“Para nós, além de um bem comum, a água é um bem sagrado e feminino. Nós não temos relação com as águas apenas na perspectiva do saneamento, no abastecimento e nem da agricultura. Nossa relação extrapola. Para nós ela tem sentido sagrado e deve ser respeitada e cuidada”, pontuou Marcus Alessandro.

Além disso houve um debate sobre o avanço exacerbado da construção civil, impactando áreas verdes importantes no estado da Bahia, que antes eram utilizadas pelos terreiros para a realização de rituais, além de cultos à ancestralidade e a natureza.

Trazendo movimento e leveza para os participantes, o bailarino e coreógrafo Denys Silva comandou a oficina “Dança e Movimento Ancestral”, onde os jovens puderam aprender e reproduzir algumas das danças praticadas pelos Orixás

Oficina Dança e Movimento Ancestral, com o o bailarino e coreógrafo Denys Silva. Foto: Joeverson Miranda

O curso, que se estende até dezembro, busca fortalecer a identidade afro-brasileira e a formação da juventude como agentes de transformação social.

 No próximo dia 7 de dezembro, os alunos inscritos irão aprender e debater sobre o tema “O legado africano e a importância da cozinha nos terreiros de candomblé”, que será ministrada pelo doutor Vilson Caetano de Souza Jr, durante o dia, eles também irão participar do preparo de um delicioso amalá, na oficina “Amalá, a força do quiabo e o poder de Xangô”, realizada por Vilson Caetano e Ronilda Gomes

Com uma carga horária total de 32 horas, o curso ainda terá aulas nos dias 7 e 22 de dezembro, abordando temas como cozinha afro-brasileira, gênero e transexualidade.

Aialla Castro. Foto: Joeverson Miranda

O Orooni reafirma seu compromisso com a formação de uma juventude consciente e engajada, que busca não apenas aprender sobre suas raízes, mas também se tornar agentes de transformação social. A continuidade desse curso é um passo importante para a valorização da cultura afro-brasileira e a construção de um futuro mais sustentável e igualitário.

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