Crise profunda no MIR culmina na exoneração de Roberta Eugênio

 Crise profunda no MIR culmina na exoneração de Roberta Eugênio

A saída de Roberta Cristina Eugênio do cargo de secretária-executiva do Ministério da Igualdade Racial (MIR) expõe uma crise já arrastada no interior da pasta. Considerada a principal auxiliar técnica da ministra Anielle Franco, Roberta deixa o posto após um conflito direto com a titular do ministério, o que acirra ainda mais as divisões internas e evidencia o esvaziamento político do MIR no governo federal.

Segundo fontes ligadas ao ministério, Roberta Eugênio pretendia assumir o posto de ministra interina durante as férias de Anielle, mas teve sua pretensão barrada pela própria ministra, o que gerou um forte embate entre as duas. A relação, que já era tensa, tornou-se insustentável. Além disso, questões pessoais agravaram a situação: a filha de Roberta passou a apresentar crises de saúde frequentes e desmaios na escola, o que também pesou em sua decisão de deixar o cargo.

 

MIR tem pior desempenho do governo e programas emperrados

A exoneração ocorre no contexto de reiteradas críticas à gestão de Anielle Franco, cuja condução à frente do MIR é considerada ineficiente até mesmo por aliados do movimento negro. O ministério ocupa o último lugar no ranking de entregas do governo federal, conforme dados internos e avaliações de desempenho institucional.

Entre os programas comprometidos, destaca-se o Plano Juventude Negra Viva, orçado em R$ 700 milhões. A proposta, que previa um conjunto de políticas públicas voltadas à juventude negra periférica, não conseguiu avançar devido à desorganização administrativa, disputas internas e substituições sucessivas em cargos-chave. Organizações que participaram da elaboração do plano vêm denunciando a ausência de metas claras, cronogramas e execução orçamentária efetiva.

Outro exemplo do colapso gerencial é o SINAPIR (Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial). Considerado um dos pilares da política nacional de igualdade, o sistema falhou em atingir sua meta de adesão por estados e municípios. Segundo levantamento preliminar, apenas uma fração dos entes federativos se integrou ao SINAPIR em 2024 e 2025, frustrando os objetivos de capilarização da política racial no território nacional.

 

Disputas internas e centralização fragilizam o ministério

Relatos de servidores apontam que a gestão de Anielle Franco se caracteriza por centralização extrema de decisões, falta de diálogo com o corpo técnico e intervenções políticas que comprometem a continuidade das ações. As trocas constantes de pessoal nos principais programas e a falta de articulação com outros ministérios também são vistas como entraves à efetividade do MIR.

A exoneração de Roberta Eugênio, que vinha sendo a principal referência técnica da pasta, simboliza a ruptura definitiva entre o planejamento técnico e o comando político do ministério.

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