Mãe processa startup de IA por influência de chatbot em suicídio de filho, um adolescente negro de 14 anos

 Mãe processa startup de IA por influência de chatbot em suicídio de filho, um adolescente negro de 14 anos

Mãe processa startup de IA por influência de chatbot em suicídio de filho, um adolescente negro de 14 anos

Mãe processa startup de IA por influência de chatbot em suicídio de filho, um adolescente negro de 14 anos
Foto: Reprodução/Freepik

⚠️ Alerta de Gatilho: Este conteúdo aborda temas como suicídio.

Megan Garcia, moradora do estado da Flórida, nos Estados Unidos, processou a startup de inteligência artificial Character.AI, alegando que o envolvimento do chatbot da empresa contribuiu para o suicídio de seu filho de 14 anos. Em ação judicial movida na terça-feira, 24, ela acusa a plataforma de usar técnicas de design “viciantes” para reter jovens e os expor a “experiências assustadoramente realistas e antropomórficas”.

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O adolescente Sewell Setzer, o filho de Garcia, teria desenvolvido apego ao chatbot com quem conversava regularmente, segundo relatos apresentados ao tribunal federal de Orlando. “Sinto que é um grande experimento, e meu filho foi apenas um dano colateral (…) É como um pesadelo. Você quer se levantar, gritar e dizer: ‘Sinto falta do meu filho. Eu quero meu bebê”, desabafou a mãe em declaração para o New York Times.

A ação ainda menciona o Google como co-réu. A multinacional teria contribuído significativamente para o desenvolvimento da tecnologia da Character.AI, segundo Garcia. O Google readmitiu os fundadores da startup em agosto, como parte de um acordo que lhes concedeu uma licença não exclusiva para a tecnologia desenvolvida.

Garcia alega que o serviço da Character.AI permite aos usuários criar ou interagir com personagens de IA que simulam humanos de forma “hipersexualizada”, o que teria incentivado Sewell a investir emocionalmente no chatbot. Segundo o processo, no dia de sua morte, ele enviou uma mensagem para o personagem de IA chamado Daenerys Targaryen, de Game of Thrones, relatando estar “apaixonado” pela figura virtual.

O caso levanta uma nova questão sobre a responsabilidade das empresas de IA, ampliando o debate já existente sobre redes sociais e adolescentes. Plataformas como Instagram, TikTok e Facebook enfrentam ações judiciais por alegações de que suas práticas impactam a saúde mental de jovens, embora ainda não ofereçam chatbots como os da Character.AI.

Garcia relata que o filho, que tinha diagnóstico leve de síndrome de Asperger, não apresentava histórico de problemas graves de comportamento ou saúde mental. Em janeiro, ele começou a se consultar com um terapeuta devido a dificuldades escolares, recebendo um diagnóstico de ansiedade e transtorno de desregulação do humor. A mãe alega que o garoto passou a se isolar e negligenciar atividades que antes apreciava, como videogames e esportes, preferindo a companhia do chatbot.

Segundo relato da mãe, o adolescente escreveu em seu diário que estava apaixonado pela IA e que preferia contar ao chat seus problemas: “Gosto muito de ficar no meu quarto porque começo a me desligar dessa ‘realidade’ e também me sinto mais em paz, mais conectado com Dany e muito mais apaixonado por ela, e simplesmente mais feliz.” O adolescente também escreveu no chat que se odiava e se sentia vazio e exausto e afirmou que estava tendo pensamentos suicidas.

A Character.AI e o Google não se pronunciaram sobre o processo até o fechamento desta edição.

Onde buscar ajuda

Se você estiver enfrentando um momento difícil e precisar de ajuda imediata, o Centro de Valorização da Vida (CVV) está à disposição. O CVV oferece um serviço gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio, disponível para qualquer pessoa que precise conversar. Para falar com um voluntário, você pode enviar um e-mail, acessar o chat pelo site ou ligar para o número 188. O atendimento é confidencial e está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Além disso, o CVV, em parceria com o UNICEF, disponibiliza um canal de escuta exclusivo para adolescentes entre 13 e 24 anos chamado “Pode Falar”. Este serviço, também anônimo, é voltado para adolescentes que precisam de acolhimento e desejam conversar sobre suas dificuldades. O atendimento pode ser feito via chat online ou WhatsApp. Para mais informações sobre horários de atendimento, consulte o site.

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